Acredito que o homem foi
constituído pra ser modelo de perfeição em um corpo e mente sadios, mas as
coisas não são bem assim. Vejo que ainda que ninguém nos transmita ideia de perfeição
a maioria de nós procura no outro a beleza, os traços que nos agrada. Construímos
modelos na nossa mente ainda que que inconscientemente e sem refletir. Quando
nos deparamos com a diferença, rejeitamos condenamos, excluímos. Quem nunca viu
uma criança na mais tenra idade rejeitar outra pela raça, classe social,
diferença, deficiência, características físicas? Quem nos ensinou que há um
modelo ideal?
Ao observamos uma escola
vemos alunos distintos com as mais variadas características físicas, culturais,
sociais, psicológicas, enfim, uma multiforme maneira de ser. Como o professor
ver, se compota diante do heterogêneo? São tantas as histórias, história de
exclusão, de descaso, de incompetência, de falta de compromisso, de vontade, de
necessidade, mas nem tudo são horrores. Existe sim um professor que faz a
diferença nas escolas, nas vidas, que olha por outro ângulo, onde o raio X do
olhar não se detém na deficiência, mas em ajudar o aluno a superar as barreiras da
deficiência. Dificuldades diante das inúmeras deficiências são reais, mas as
potencialidades, habilidades é que sobressaem diante do professor do
Atendimento Educacional Especializado (AEE), que tem por função acolher o aluno
deficiente e buscar nele o potencial que ainda não foi encontrado, escondido do
aluno, do professor, que surpreende a todos quando o aluno começa a fazer o
“impossível”. A organização do Atendimento Educacional Especializado considera
as peculiaridades de cada aluno. Alunos com a mesma deficiência podem
necessitar de atendimentos diferenciados. “Por isso, o primeiro passo para se
planejar o Atendimento não é saber as causas, diagnósticos, prognóstico da
suposta deficiência do aluno. Antes da deficiência vem à pessoa, o aluno com
sua história de vida, sua individualidade, seus desejos e diferenças”
(Ropoli,2010, p. 22).
Então vamos esquecer os
modelos, até mesmo o modelo dos modelos. O professor do AEE (que deve ter
formação específica para este exercício), ver seu aluno como único, estuda o
caso e ao identificar suas necessidades o professor do AEE reconhece também
suas habilidades e a partir de ambas, traça seu plano de atendimento. O passo
seguinte é executar o plano, que está sujeito a revisão e atualização, é
importante que os serviços e recursos do Atendimento garanta a participação do
aluno nas atividades escolares. Assim o AEE é um serviço da Educação Especial
que “[...]identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de
acessibilidade, que eliminem barreiras para plena participação dos alunos,
considerando suas necessidades específicas” (SEESP/MEC/2008 apud Ropoli,2010, p.17).
Assim como o senhor
Palomar em “O modelo dos modelos” de Ítalo Calvino, quem nunca se enganou na
busca de modelos perfeitos? Ao olharmos para a paisagem humana nos deparamos
com modelos distorcidos e que não são transformáveis e concluímos que é melhor
que a mente permaneça desembaraçada sem ideais de modelos. Assim tem que ser o
professor do AEE, aberto para receber a diversidade sem ideias preconcebidas. O
céu de modelos ideais não existe. “Nas escolas inclusivas, ninguém se conforma
a padrões que identificam os alunos como especiais e normais, comuns. Todos se
igualam pelas suas diferenças! ” (Ropoli,2010, p. 8).
Ropoli, E. A. et. al. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: A Escola Comum Inclusiva. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza}: Universidade Federal do Ceará, 2010.

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